Perspectivas para 2007
A
experiência sempre me desaconselha a tentar fazer previsões,
pois ao contrário do personagem principal de uma antiga
novela da TV Tupi que hoje está sendo refeita pela Globo,
se eu fosse depender de meus dons de profeta para ganhar a vida,
passaria fome.
Mas
é difícil resistir à tentação
de prever o que acontecerá com o Ramalhão em 2007.
Então, vou tentar mais uma vez, e no final do ano veremos
o quanto consegui acertar.
O
ano começa para o Ramalhão com duas diferenças
em relação às temporadas anteriores. A
primeira: o time manteve o treinador, e embora tenha perdido
vários jogadores (como sempre acontecerá), conseguiu
trazer reforços com antecedência suficiente para
fazer uma pré-temporada com o elenco praticamente formado.
A outra é a criação do Clube Empresa, responsável
pela administração do futebol do clube. Não
se sabe quando a Empresa iniciará suas atividades e o
quanto influirá no desempenho imediato da equipe, mas
as expectativas são grandes.
O
possível ponto negativo deste início de temporada
é a aposta do clube em jogadores bastante jovens. Além
dos novos contratados, quase todos com idade abaixo de 23 anos,
serão promovidos mais 6 ou 7 jogadores das categorias
de base, o que faz do novo elenco do Ramalhão um dos
mais jovens dos últimos anos, com exceção
do Sandro Gaúcho. Essa falta de experiência poderá
pesar muito nos momentos cruciais do campeonato. Por outro lado,
o entusiasmo da juventude poderá fazer com que esse grupo
se supere, no esforço de mostrar serviço. Comando,
dentro e fora de campo, será a palavra chave e ingrediente
fundamental para compensar a pouca experiência do time.
Prevejo
um Paulistão muito equilibrado no princípio, mas
depois os principais candidatos ao título (São
Paulo e Santos) irão deslanchar. O Santo André
montou um elenco para fazer campanha apenas mediana: como dito
acima, é evidente a falta de jogadores mais experientes,
capazes de comandar os garotos em campo. A tendência é
que o time comece um tanto irregular, permanecendo no meio do
bolo da tabela de classificação, mas aos poucos
o desempenho deverá melhorar, à medida que a equipe
ganhar entrosamento e confiança no esquema tático
do treinador. Por ser um campeonato de tiro médio, a
manutenção do técnico será essencial
para que se obtenham bons resultados; do contrário, todo
o planejamento irá para o espaço e o elemento
"sorte" acabará sendo decisivo. No cenário
mais otimista, vejo o Ramalhão em condições
de lutar por vaga na 2ª fase e na Copa do Brasil. Mas o
mais provável é que o time apenas brigue nas posições
intermediárias.
Ao
final do campeonato paulista haverá, como de hábito,
um pequeno desmanche. A maior perda deverá ser Ramalho,
vendido a algum clube da Série A. Novos reforços,
pelo menos três, deverão chegar para a disputa
da Série B. Nessa mesma época, o Clube Empresa
entrará em atividade e a assembléia dos cotistas
nomeará um Diretor para administrar o futebol do clube
com plenos poderes. Talvez o nome não seja do gosto da
torcida, mas para os cotistas isso será irrelevante.
Acredito que nessa fase serão anunciados os investimentos
na primeira etapa do CT a ser entregue até o final do
ano.
O
desempenho inicial do Ramalhão na Segundona dependerá
diretamente do rendimento da equipe na reta final do Paulistão.
Um time motivado e entrosado começará a todo vapor,
mantendo-se nas primeiras colocações por várias
rodadas, e daí para a frente a qualidade e quantidade
do elenco começarão a fazer diferença.
Nesse momento vamos saber se teremos time para subir ou não.
Uma eventual mudança de técnico, caso se faça
necessária, terá que ocorrer no máximo
até a metade do 1º turno, para que o trabalho do
novo treinador possa render resultados a tempo; caso contrário
dependeremos mais uma vez da "sorte". Uma segunda
mudança de comando durante o campeonato seria desastrosa
e nos colocaria apenas na briga para não cair.
No
cenário ideal que vislumbro, o Ramalhão terminará
o primeiro turno entre os 5 primeiros e, trazendo mais um ou
dois novos reforços que melhorarão a qualidade
do grupo, passará a brigar decididamente pelo acesso
à Série A. Com as medidas de popularização
que (espero) serão tomadas pela Empresa, a média
de público no Bruno Daniel subirá para 5 mil pessoas,
o que será decisivo na reta final. Nesse cenário,
conseguiremos o sonhado acesso. No final da temporada, a empresa
marcará uma grande festa no Clube de Campo, para comemorar
o acesso e inaugurar a primeira etapa do CT. A imprensa paulistana
será convidada e não esconderá sua surpresa
com a estrutura montada e com o fato do E. C. Santo André
ter duas sedes, e mais associados que a maioria dos clubes da
Capital...
É
claro que várias coisas podem dar errado, e temos que
estar preparados para isso. Os jogadores podem não render
o que deles se espera; o treinador pode cair ou aceitar uma
oferta financeiramente maior; fatos externos e fortuitos, excesso
de contusões e suspensões, erros de arbitragem,
etc., podem prejudicar o grupo. A existência do Clube
Empresa poderá fazer uma grande diferença nessa
hora, especialmente se o cargo de Diretor for entregue a um
profissional capacitado: com isso os problemas poderão
ser minimizados e as dificuldades serão menores ao longo
da temporada, o que nos ajudaria a ganhar aqueles pontinhos
a mais que sempre insistem em faltar a cada final de campeonato.
Em
resumo, vou apostar na mística do ano ímpar e
na eficiência dos novos responsáveis pela condução
do futebol profissional do clube, e acreditar em uma ótima
temporada para o Ramalhão em 2007, coroada com o acesso
à Série A.
Carlos Silva
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Carlos
Silva é funcionário público e Ramalhino desde 01/10/1978 |