A
Campanha, sob a ótica do torcedor
Foi
esta a campanha do Ramalhão no Campeonato Paulista 2005:
- 33 pontos ganhos (aproveitamento de 57,9 %);
- 10 vitórias, 3 empates e 6 derrotas;
- 34 gois marcados e 27 sofridos;
- 4º colocado na classificação geral.
Em termos numéricos, aí está completa e
sucintamente traduzida, em números, a participação
do Santo André no Paulistão. São informações
suficientes para um matemático ou um estatístico.
Mas o torcedor não vê o futebol em números.
Vamos, então, analisar a campanha pela ótica do
torcedor.
Pela primeira vez, o Santo André viveu a experiência
de disputar a Copa Libertadores simultaneamente ao Paulistão,
e a diretoria tomou a decisão de não dar prioridade
ao torneio continental, já que uma boa classificação
no Paulistão poderia classificar o time para a Copa do
Brasil 2006, mantendo o Ramalhão em evidência no
cenário esportivo nacional. Uma decisão de certa
ousadia. Infelizmente, a decisão seguinte da diretoria
foi um enorme equívoco: contratar o treinador Luiz Carlos
Ferreira para dirigir o time nos dois campeonatos. A torcida
recebeu mal a contratação, não só
porque o novo técnico, de várias passagens anteriores
pelo Ramalhão, não tinha o perfil necessário
para a Libertadores, mas também (e principalmente) pela
forma que ele deixara o clube em 2004, em meio à disputa
da Copa do Brasil.
Com isso, a campanha do Ramalhão no campeonato paulista
pode ser dividida em duas partes: a fase LCF e a fase pós-LCF.
O time até começou bem o campeonato, mantendo-se
na média inglesa (aproveitamento de 66%) até a
8ª rodada. Mas a partir daí, as seguidas contusões
e as trapalhadas do treinador derrubaram o rendimento da equipe,
que perdeu jogos absurdos em casa. Quando LCF
deixou o comando do Ramalhão, após nova derrota
no Brunera para o MSI/Corinthians (e ainda insultando a torcida
ramalhina ao afirmar que a derrota foi "um resultado normal"),
o aproveitamento da equipe caíra para 55,5% (20 pontos
ganhos em 36 possíveis).
A partir daí, Sérgio Soares assumiu o comando.
Sob sua direção, o aproveitamento da equipe melhorou
razoavelmente (62%), mas a arrancada nas últimas 3 rodadas
foi suficiente para alcançar a 4ª posição
na classificação geral - a melhor já obtida
pelo Ramalhão em campeonatos estaduais na 1ª divisão.
Com isso, tivemos uma dupla alegria: conseguimos a vaga para
a CB, e de quebra ficamos à frente do "São
Caitano".
Outro ponto positivo a destacar foi a melhora na média
de público nos jogos do Ramalhão. O torcedor ramalhino
parece estar readquirindo o prazer de ir ao Brunera ver o time
jogar (ainda que continue a ser maltratado nos jogos contra
os "grandes", num desrespeito flagrante ao Estatuto
do Torcedor). Mesmo com a fórmula de disputa capenga
(pontos corridos em turno único não é campeonato;
é meio campeonato), que desestimulou o comparecimento
do torcedor, o Ramalhão foi um dos poucos clubes que
conseguiu aumentar sua média de público. Eu acredito
que o trabalho de conscientização feito pelos
Ramalhonautas tem sido um dos motivos dessa volta por cima.
Podemos dizer, então, que a campanha do Santo André
no Paulistão 2005 foi boa? Grosso modo, sim: boa, mas
não excelente. Ficou a sensação que poderíamos
ter feito melhor. Embora no futebol não exista a palavra
SE (que equivale a uma negação: SE tivéssemos
vencido aquele jogo, SE aquela bola que bateu na trave tivesse
entrado, etc...), sinto-me tentado a dizer que SE não
tivéssemos perdido 10 pontos em casa, teríamos
ficado com o vice-campeonato.
Mas o Paulistão agora é passado. Que venha a Série
B, onde mais do que nunca merecemos o acesso. E, antes, vamos
buscar a classificação para a segunda fase da
Libertadores. 2005 ainda promete muitas emoções
para o torcedor do Ramalhão.
Carlos Silva
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Carlos
Silva é funcionário público
e Ramalhino desde 01/10/1978
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